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sábado, 26 de janeiro de 2013

Pêsames




O sol que me desculpe, 
mas não tinha o direito de se levantar cedo, 
como que de costume. 
Não tinha que se levantar. 
Falo do escuro que se faz quando a vida se vai. 
Penumbra, negritude, completa escuridão.
Nem pó de estrela, nem vela ou lanterna 
pra iluminar o dia que acordou no luto. No susto.
Alguém morreu e paradoxalmente a vida segue lá fora.
Ônibus circulam, carros soltam fumaça, 
pulmões choram a falta de ar.
Falta. Ausência. Salta essa parte ruim da história.
Sai fornada de pão na padaria. 
Gente apressada atravessa a rua.
Gente atordoada atravessa a dor.
A vida continua nas esquinas, varandas, cirandas.
Por que tanto movimento 
se está tudo parado aqui dentro?
O bebê chora, o telefone toca, o carteiro manda notícias.
A vida pára e anda no cortejo.
Pranto de chuva, despedida que não foi pedida, 
tristeza absoluta em sol menor.